quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Eu acho que

Existem pelo menos três poréns em cada minuto que se doa a se relacionar com qualquer outro indivíduo dotado de visão, tato, olfato, audição e paladar. Eu tenho um gato e uma mania estranha (acredito que é uma mania universal dos proprietários de gatos) de tratá-lo como se ele fosse capaz de compreender tudo o que digo. No final das contas, ter um gato não tem muitas funções além da tarefa decorativa que ele desempenha em uma casa. Embora que, em alguns momentos, os gatos parecem saber mais do que eu e você juntos. Ter um gato pode ser perturbador. Ele assiste a tudo e nem mesmo uma porra de uma crítica é capaz de fazer, ele te observa e você tem que ficar atento pra tentar encontrar qualquer sinal que signifique qualquer coisa. Mas também pode ser fofo. Meu gato não fala, porém, não é exatamente tão decorativo e inanimado quanto o meu sofá, meu sofá nunca me deu margem para tratá-lo como uma pessoa. Esse mesmo gato ainda não tem nome e nem sexo e talvez isso acabe por dar a ele a consciência de que ele é um gato e que deve continuar calado. Eu não sou um gato, porém, gosto de ficar só observando as pessoas e deixando o que penso dentro de mim. As outras pessoas também não são gatos, porém, algumas gostam de desempenhar o papel apenas decorativo pela vida. Algumas pessoas são vasos sem flores, mas confesso que gosto das pessoas abajur. Os últimos acontecimentos levam a crer que o gato que decora minha casa é uma fêmea e que já merece um nome, estou pensando em chamá-la de Cabra, mas não sei se ela teria muitas ambições depois desse batismo ou até mesmo se ela continuaria a entender a sua função felina de continuar calada, decorativa e de viver apenas com seus cinco sentidos (e sete vidas). Ter um gato pode ser um problema, dá-lo o nome errado pode ser outro bem maior. Bom, enquanto isso a única solução que me parece coerente e segura é pular do 26º andar, fugir das pessoas abajur e esperar por você na minha próxima vida...

quando nós formos gatos.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

e't'c't'r

As nomenclaturas variantes de cada indivíduo e de seu comportamente é algo super e super valorizado em cada esquina de qualquer lugar onde habitem, no mínimo, dois seres humanos. Todos se comportam como pscicanalistas dentro de seus estudos e experiências, vividas ou não. É uma espécie de gaiola. A gente se prende em busca de uma definição e esquece que cada termo e/ou ação tem suas infinitas variáveis, somos humanos, somos capazes de ser tudo o que as circunstâncias permitem e capazes, principalmente, de ir contra isso. Somos multi, pluri, trans, sigulares e tudo isso ao mesmo tempo. Me baseando em todas as pequenas e grandes coisas que experimento a cada dia eu gosto da falta de nome que algumas atitudes tem. É uma forma de adaptação a cada dia e pessoa, mas devo dizer que graças a pessoas multi, pluri e trans, eu tenho variado os rótulos, me permitindo ser em cada ser, anulando a preocupação com os pscicanalistas em volta. Não sei o que Freud ou minha mãe diriam sobre esses comportamentos, hora extremos, hora coisa nenhuma, hora equilíbrio. Mas o nosso cérebro é uma fábrica de diverções e seria um pecado contra a vida e o criador ignorar isso. Deus resolve existir quando você experimenta a suprema felicidade que existe nas pequenas coisas e nas grandes pessoas. Fiquei numa espécie de euforia saturada quando vi que ainda haviam muitas vírgulas a serem acrescentadas na minha biografia, um tipo de magia darwiniana na descoberta do mundo e suas possibilidades. Encontrei muita gente que vale a pena durante esses experimentos e pretendo mantê-las por perto até quando for possível. Plantar maconha em um pequeno vaso na varanda é algo tão inutilmente prazeroso quanto indispensável. Estudar 14 horas seguidas de bioquímica pode ser importante nessa busca por nomenclatura, vou ser uma profissional da saúde e vou ter um pé de gelatina embaixo da minha cama, isso significa muita coisa. Não me preocupar com o câncer que vou ter daqui a vinte anos é tão estúpido quanto tomar vitamina de banana com maçã todos os dias. E daí se eu prefiro os aminoácidos prejudiciais aos essenciais? O cigarro faz parte de toda a brincadeira no divã, entre outras substâncias que catalisam os processos multi, pluri e trans de cada ser vivo. O que isso tudo significa depois que as nossas cinzas viram tapete não vai depender do nome ou da circunstância, e sim da divisão de dados para análise individual e em grupos étnicos de no máximo três alunos, para que, a partir disso, todos saiam enriquecidos e cada vez mais singulares depois de experimentar todas essas baboseiras incrivelmente essenciais para a vida e para a formação acadêmica, pessoal e da masssa encefálica.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

pH < 4

Era novo e isso fazia parte do prazer. Era um pacote filantrópico, a soma de sabores, peles, olhos, fomes, luzes e descobertas. Tudo por conta da casa. Tudo na consistência ideal a partir da união coloidal das moléculas coloridas de sabor artificial idêntico ao natural. Tudo por conta da vontade. “Tudo” diz muita coisa dessa noite, até quem não dizia nada até então, definiu no meio de todas as luzes a incrível sensação de não saber de nada, nada era simplesmente o que sempre foi, tudo tinha se misturado, se ondulado até formar uma matéria qualquer que ficava além do palpável. Pouco menos de 20 mentes, acredito. 1 milhão de vozes saindo de cada uma delas e se degladiando em outra dimensão, não faço idéia de qual foi a matemática dessa noite. Tudo parecia comestível, imaginável e permitido. “Tudo” diz muita coisa dessa noite. Paraísos de libra e águas de câncer se encontravam enquanto diagnósticos astrais eram oferecidos em todos os ambientes daquele fantástico espaço ao mesmo tempo. Era uma mistura de medo com fascinação, de magia negra com o poder do megazord. Eram pouco menos de 20 mentes, 18 mentes e meia, acredito, sendo investigadas e sem conseguir se esconder da exposição. 18 mentes e meia servindo de espetáculo enquanto o oráculo de botas se alimentava de cada gesto aquariano, orientava a insegurança libriana e abria as portas pra água de câncer pra quem quisesse beber. As pupilas precisaram dilatar pra tentar entender tudo o que o mundo estava virando e também pra conseguir acompanhar os passos daquele rap. No meio disso, um criador de memórias registrava cada pedaço de parede, cada cinza no chão e cada partícula debaixo da língua porque ele sabia que era bom. Ao que parece, ninguém tinha se preparado pra tudo aquilo, pra manter os olhos tão abertos quanto escondidos, pra ser o que quiser e arcar com as consequências de cada ser. Risos frenéticos flash após flash, a atenção básica ao que era bonito e irresistível estava distorcida. Tudo parecia muito mais que antes, qualquer coisa era o que seu olhar mandasse e sua boca comesse. Todos pareciam em busca de algo que flutuava e pareciam flutuar também, era difícil se prender a realidade. Não se sabe como aquelas mentes sobreviveram aquela noite mas o tempo tem passado muito devagar desde então. O universo mudou de cor e agora é anacrônico. Preparados ou não, esses dezoito cérebros e meio, continuam vagando por aí, tentando assimilar cada minuto que experimentaram na acidolândia, tentando encontrar uma matéria no meio do espaço e aquele mesmo espaço pra fazer tudo outra vez. Tudo o que eu consigo dizer é que. Tudo. Aqueles dezoito cérebros e meio foram muito bem selecionados.

segunda-feira, 16 de maio de 2011



mãe, derrubei a via láctea no carpete.

todos bem

ai meu coração, que vontade de morder.






aí acabei morrendo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Eu te diria que sim se tua voz fosse um abraço, se teu sotaque tivesse um pouco de vinho e se o teu cabelo fizesse voltas no meu embaraço. Te diria que sim se teu o nome fosse um vício, se meu espelho fosse teu rosto e se o teu rosto fosse o meu precipício. Diria que sim se a tua memória tivesse um gosto e se o mar fosse o meu oposto. Sim se o teu canto fosse mais exato e se o teu toque fosse mais que um fato.

Te diria que sim se o teu vento tivesse letra e melodia, se o teu sono fosse minha alegria e se houvesse entre nós alguma pornografia.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

6:25 am

Volta pra tua fantasia, menina-morta.
Depois que você acorda, não sobra nada que se possa sonhar.

Bom dia.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011