Existem pelo menos três poréns em cada minuto que se doa a se relacionar com qualquer outro indivíduo dotado de visão, tato, olfato, audição e paladar. Eu tenho um gato e uma mania estranha (acredito que é uma mania universal dos proprietários de gatos) de tratá-lo como se ele fosse capaz de compreender tudo o que digo. No final das contas, ter um gato não tem muitas funções além da tarefa decorativa que ele desempenha em uma casa. Embora que, em alguns momentos, os gatos parecem saber mais do que eu e você juntos. Ter um gato pode ser perturbador. Ele assiste a tudo e nem mesmo uma porra de uma crítica é capaz de fazer, ele te observa e você tem que ficar atento pra tentar encontrar qualquer sinal que signifique qualquer coisa. Mas também pode ser fofo. Meu gato não fala, porém, não é exatamente tão decorativo e inanimado quanto o meu sofá, meu sofá nunca me deu margem para tratá-lo como uma pessoa. Esse mesmo gato ainda não tem nome e nem sexo e talvez isso acabe por dar a ele a consciência de que ele é um gato e que deve continuar calado. Eu não sou um gato, porém, gosto de ficar só observando as pessoas e deixando o que penso dentro de mim. As outras pessoas também não são gatos, porém, algumas gostam de desempenhar o papel apenas decorativo pela vida. Algumas pessoas são vasos sem flores, mas confesso que gosto das pessoas abajur. Os últimos acontecimentos levam a crer que o gato que decora minha casa é uma fêmea e que já merece um nome, estou pensando em chamá-la de Cabra, mas não sei se ela teria muitas ambições depois desse batismo ou até mesmo se ela continuaria a entender a sua função felina de continuar calada, decorativa e de viver apenas com seus cinco sentidos (e sete vidas). Ter um gato pode ser um problema, dá-lo o nome errado pode ser outro bem maior. Bom, enquanto isso a única solução que me parece coerente e segura é pular do 26º andar, fugir das pessoas abajur e esperar por você na minha próxima vida...
quando nós formos gatos.

